Costurando com Augusto Teixeira e seu trabalho de estreia

Por Léo Nogueira

Depois de cerca de dois anos de gestação, eis que finalmente vem à luz a esperada Estação Felicidade, primeiro álbum de Augusto Teixeira, que, além da qualidade das canções, dos arranjos (feitos por ele em parceria com Leo Costa) e dos instrumentistas, conta ainda com grandes participações — entre as quais se destacam Ceumar e Zeca Baleiro — e com a arte gráfica a cargo de ninguém menos que Elifas Andreato. Um pontapé inicial pra ninguém botar defeito. Ou, como diria o saudoso Wilson das Neves, “ô sorte”! Vamos deixar o compositor falar.

Augusto, conta aí por que demorou tanto pra sair sua feliz estação e o que te levou a escolher a canção “Costura” pra chegar antes às plataformas digitais.

O álbum “Estação Felicidade” foi feito a partir de um projeto que valoriza as composições que mais marcaram minha história de vida desde quando comecei a compor. A produção demorou quase dois anos, mas o sonho de gravar o CD é antigo, é de 2005, quando eu já tinha composições suficientes para fazê-lo. Mas com algumas músicas ainda havia insegurança, me sentia imaturo. Achava o máximo quando terminava, mas com o tempo ficavam envelhecidas, até bobas. Parafraseando o Pessoa, ‘todas as canções de amor eram ridículas’. E apesar de compor intensamente durante os anos seguinte, essa insegurança me perseguia. Mas com o tempo fui percebendo que algumas dessas canções permaneciam, não eram tão ridículas assim… Algumas eram fortes e sobreviviam à minha autocrítica. Percebi que essas que se tornavam fortes eram aquelas que, além de serem muito importantes pra mim, eram muito importantes para algumas pessoas que ouviram e se identificaram. Eram canções que tinham uma história, uma marca, uma alma, uma memória afetiva. Eram canções de encontro. Quando mudei pra São Paulo em 2011, além de começar a estudar na EMESP (antiga ULM), também passei a frequentar dois saraus que foram muito importantes: o Sarau Lua Nova e o Clube Caiubi de Compositores. Ali conheci músicos e compositores que admirava há tempos, e alguns que não conhecia mas que me tornei fã e parceiro, dentre eles, Álvaro Cueva e Léo Nogueira. Com eles senti que estava amadurecendo como compósito, principalmente quando compusemos “Toda em Si”, com Álvaro Cueva e Marina Tavares, e “A Luz de Luzia”, com o Léo Nogueira.
A partir disso, em 2015, com o incentivo de dois amigos músicos, a Carol Mello e o Gui Augusto, fiz uma série de shows autorais já visando a escolha de repertório para a produção do disco.
Lançamos o crowdfunding no final de 2015 e foi uma luta, mas chegamos lá.
A partir desses shows escolhi umas vinte músicas e, a partir destas, selecionei doze procurando dar homogeneidade ao trabalho. Algumas delas já tinham letra, melodia e arranjo bem definidos, enquanto outras foram lapidadas. Como era minha primeira experiência com produção, chamei o violonista Leo Costa que trabalhou bastante comigo em parceria nas várias fases do projeto, desde a escolha de um conceito do disco, do estúdio, dos instrumentos, dos músicos até a fase da master.
Resolvemos priorizar a qualidade em detrimento da rapidez, e tentamos ao máximo produzir as músicas como foram compostas, sem “maquiagens”, sem elementos supérfluos, mas que tivessem corpo, enredo, algo a dizer. O Leo Costa escolheu a palavra “rústico”.
Depois de passarmos um tempo reescrevendo arranjos, gravando e algumas vezes regravando, quando íamos dar o trabalho por completo, eis que o Leo Nogueira sugere a participação do Zeca Baleiro e da Ceumar. E não é que eles toparam?! O Zeca gravou em “A Luz de Luzia”. E a Ceumar o bônus track “Vírgula”, parceria com o Léo Nogueira e Gabriel de Almeida Prado.
Na mesma época, há uns meses atrás, eu estava procurando alguém para fazer a capa do disco. E casou de o Elifas Andreato aparecer no estúdio bem na hora que o Zeca estava gravando. Antes disso, eu encontrei, literalmente de bandeja, o livro “Impressões”, do Elifas, na mesa da minha sogra, a Maria Luíza. Aí, ela contou que, seu esposo, o Floreal, tinha um sebo e o Elifas pediu emprestado para ele exemplares históricos do Opinião, O Pasquim e Movimento e com materiais seus para o ajudar na feitura deste livro. Achei muito bonitos a história e o livro. No estúdio o Elifas ouviu a canção e gostou. Contei essa história e ele se lembrou. Na hora o convidei para fazer a capa. Ele também topou!
A bolacha saiu linda, e estou satisfeito com este trabalho.
Por isso demorou… rs
“Costura”, o single do álbum, que foi lançada no dia 12/jan, foi escolhida por ter sido tecida a partir de um sonho. Sonhei literalmente seu refrão e logo gravei num gravador de fita k7. Isso porque essa sementinha foi plantada em 2005. Foi crescendo, sendo lapidada e virou essa “fulô”! É uma homenagem à minha mãe, costureira, e ao meu pai, trabalhador da terra. Além de ser uma música que cita o processo de fazer música, “agora sou todo amor e música” e “das desilusões do amor fiz música”.

Agora, conta pra gente se já tem data de lançamento marcada e o que pretende fazer com a bolacha.

O lançamento do álbum nas principais plataformas digitais será nesta terça, 16 de janeiro de 2018.
Esta semana começaremos a divulgação nas redes sociais, jornais, rádio e TV.
E já estamos preparando o show de lançamento, assim que tivermos data e locais confirmados, faremos a divulgação.