Discos Que Ouvi – Zé Edu Camargo

Quem frequentava o Caiubi da Rua Caiubi lembra, com certeza, do cara que ficava rabiscando letras em guardanapos de papel. Dali surgiram dezenas de parcerias com outros inúmeros compositores, várias delas registradas em disco, outras tantas em espetáculos.

Um jornalista que decidiu inovar e foi viver de inovação. Letrista, paixão por passarinhos. Juntou as duas coisas e está gravando um disco só com músicas que têm as aves como tema, em parceria com o brother-de-fé-amigo-camarada Sonekka.

Clube Caiubi – Que álbum ou single você ouviu ou anda ouvindo ultimamente?

Zé Edu – A última descoberta que me pegou de jeito foi o trabalho de uma cantora/compositora paulistana chamada Lisa Kalil. Seu álbum de estreia, Vitrais, tem uma levada jazzística embalando letras muito bem sacadas em português e em inglês, além de uma regravação – mas eu devia dizer recriação – brejeira e alto astral (!) da clássica A Noite do Meu Bem. Lisa tem uma segurança e um domínio da interpretação impressionantes para uma cantora que acaba de se lançar ao mar da música.
Outro disco recém-lançado que não me sai dos ouvidos é o Todo Interior É Igual, do trio Adriana Sanchez, Rafael Alterio e Guilherme Rondon. E não só porque tem minha primeira parceria com o Rondon, Hora Contada (com a participação da Susana Travassos, cantora portuguesa que dá um tom delicioso à canção): o disco inteiro é um primor de melodias, letras, arranjos, interpretações, de tudo.

Clube Caiubi – Que Qual foi o primeiro disco que você comprou?

Zé Edu – Muito provavelmente Thriller, do Michael Jackson. O papa era pop.

Clube Caiubi – Que Se você tivesse que fugir e pudesse levar apenas um álbum, que disco seria este?

Zé Edu – Na verdade é o contrário, eu fujo a cada vez que um álbum me leva. Mas okay. Fico com o Elis, de 1972. Dá pra gastar a eternidade ouvindo. E ainda hoje guarda o frescor de compositores em início de carreira, mas já quebrando tudo: Belchior, Zé Rodrix, Milton Nascimento, João Bosco, Guarabyra, Aldir Blanc, Fagner, Tavito, Sueli Costa, Vitor Martins, Ivan Lins… Tudo isso na voz da Elis sem medo de ser visceral.

Clube Caiubi – Que Cite um disco muito bom pouco conhecido, que as pessoas deveriam ouvir mais.

Zé Edu – Cara do Brasil, de um gênio com GG de gigante chamado Celso Viáfora. Um disco brasileiro, cheio de suingue e batuque, com letras extraordinárias. O que dizer dos versos “a gente é torto igual Garrincha e Aleijadinho, ninguém precisa consertar”? Num país um pouquinho mais decente um artista como Celso teria o reconhecimento que merece. Mas a gente é torto. E calhou dele ser um cara do Brasil.