Discos que eu ouvi – com Gilvandro Filho

A gente sempre quer saber da boa música que fez a cabeça de gente que faz boa música. Daí, batemos um papo com Gilvandro Filho, colaborador deste portal e amigo caiubista de priscas eras, sobre bons discos de ontem e de hoje. Sobre Gilvandro, que é jornalista, em suas próprias palavras: “Eu faço música, hoje, com mais de 30 parceiros, de todo o País, perfazendo mais de 360 canções, delas, umas 30 gravadas. Tenho participado de finais de festivais como o Fenac e o Fampop, de Avaré, tendo vencido o Festival de Música do Ceará, em 2012, junto com a parceira Apá Silvino.”

Clube Caiubi – Que álbum ou single você ouviu ou anda ouvindo ultimamente?

Gilvandro Filho – Ouço tudo via mp3, no carro, sobretudo. Mas, álbum mesmo, no momento ouço o novo de Olívia Gênesi.  Uma delícia chamada “Amor e Liberdade”. Olívia, eu conheci através de um trabalho dela com minha parceira Raquel Martins, um projeto lindo chamado “O mar e outras águas”. É um nome a se guardar com carinho e cuidado. Canta muito, compõe ainda mais, é tecladista, violonista e arranjadora. Espantei-me ao saber ser este o 10º CD da menina. O que eu perdi, até agora… O que o Brasil perde ao não tê-la nos corações e nas mentes. Faz três a quatro dias que escuto, saboreando as faixas e a voz da moça. Como eu disse pra ela, “Amores líquidos”, “Arte além da tua janela” e “Recomeçar” já namoram com meu inconsciente e abrem vantagem entre as faixas favoritas. Recomendo fortemente.

Clube Caiubi – Qual foi o primeiro disco que você comprou?

Gilvandro Filho – Que eu me lembre, foi Beatles, claro. E foi um disco de 1965 que saiu no Brasil com o título de “Beatles Again”. Aquele que tinha “Twist and Shout”, “All My Loving”, “Hold me Tight”, “Dou You Want to Know a Secret?”. Eu devia ter 10 pra 11 anos e economizei a grana dos doces pra comprar o LP, numa loja de discos de um bairro vizinho.

Clube Caiubi – Se você tivesse que fugir e pudesse levar apenas um álbum, que disco seria este?

Gilvandro Filho – Perguntinha cabreira, tem tanta coisa boa pra levar. Pra começar, os discos de todos os meus parceiros. Mas como é pra citar só um, não boto nenhum deles pra não ter confusão comigo mesmo. Então, vamos lá, virando a mira para longe. O clássico album “Meddle”, do velho e bom Pink Floyd seria uma grande trilha sonora para se fugir até para Pompeia.

Clube Caiubi – Cite um disco muito bom pouco conhecido, que as pessoas deveriam ouvir mais.

Gilvandro Filho – O Brasil, roqueiro ou não, iria ganhar muito conhecendo melhor Lula Côrtes, o principal nome do rock pernambucano de todos os tempos. Um cracaço que já nos falta, desde 2011. Curriculo enorme. Fez história com Alceu Valença, tocando tricórdio no Festival da Globo de 1985 (“Vou danado pra Catende”). Produziu, junto com Lailson de Holanda, o lendário “Satwa”, primeiro disco realmente independente gravado no Nordeste e, se diz, no País. É protagonista, junto com Zé Ramalho, do mítico LP “Paêbirú”, um dos discos mais caros que existem por aí, pela sua raridade e qualidade artística. Um artista espetacular.
O disco “Lula Côrtes & Má Companhia”(1997), pra mim é essencial. “Estradas”, dele, é uma das melhores baladas que escutei na vida. E as releituras de “Nasci para Chorar (Born to cry)” (Dion DiMucci – versão: Erasmo Carlos) e “Rock do Segurança” (Gilberto Gil) são imbatíveis e inigualáveis.
Se puder ouvir mais discos dele, não vacile e pegue na web “O Gosto Novo da Vida”. Só a balada “Desengano” (Lula Côrtes – Tito Lívio) já valerá.