Parceragem

 

Já faz um bom tempo que alegria mesmo é só no palco, fora do palco nesse país tá difícil qualquer coisa, estamos, nós essa raça quase banida conhecida por compositores populares, nos reinventando a partir de nós mesmos. O deus mercado baniu a canção para os guetos, coletivos, saraus. Começamos dentro de uma roda de amigos muito talentosos a brincar disso também, sem nenhuma produção, produtora ou estratégia de comunicação e marketing ficamos em cartaz um tempo, um grupo de sete amigos que se autodenominou MPBU (MPB Universitária), uma ironia já que as universidades outrora espaços da música de Chico, Caetano, Gil foram tomadas por sertanejos, forrós de baixa qualidade, pagodes e outros bundaleles.

O Nosso coletivo se desfez oficialmente mas não espiritualmente, na verdade, a partir dele a vida ficou mais colorida para todos, continuamos juntos, participando dos shows uns dos outros, compondo juntos, compartilhando o dia a dia da criação, quebramos o encanto de uma solidão que parecia histórica, passamos a ser parceiros, fãs e público de nós mesmos, pode parecer estranho, mas se você ouvir o que estão produzindo e tocando nas rádios e TVs de música entenderá o porquê desse juntar-se em guetos.

Pensamos em ampliar e profissionalizar mais o que no momento é praticamente trabalho altruísta, é bacana os saraus que se proliferam por aí, é resistência heroica, de música, de poesia, teatro, mas precisamos mudar um pouco a cultura. Nossos shows não dão dinheiro, são bancados pela gente, sim estamos pagando para poder continuar fazendo e divulgando nossa música, então começamos a pensar nessas experiências e como a partir disso por um pouco de dignidade financeira nesses trabalhos: um circuito de lugares para se apresentar, uma turma maior que funcionaria como público e captador de público para todos.

Em primeiro lugar um grupo de vinte a trinta pessoas que firmasse compromisso de fazer o possível e o impossível para comparecer a todos os shows do grupo, em segundo lugar que fizessem um big esforço para pagar os baratos ingressos desses shows, sim porque é normal nos meus shows terem trinta pessoas e dez pagantes, quer dizer a gente mesmo não valoriza o trabalho do amigo, vamos nos ajudar a continuar produzindo nossa música por aí e ganhar um dinheirinho com isso, que tal? Vamos criar a cultura de pagar e não fazer lista, todo mundo ganha. O resultado a longo prazo é que vamos intercambiar público de uns para outros, manteremos um público mínimo nos shows que deverá ir aumentando à medida que o público de um conhece o trabalho do outro, os shows sempre com vários convidados são dinâmicos e divertidos pois contam com vários talentos diferentes, a ideia é que isso crie uma cena cultural que pode futuramente virar um movimento mais consistente, mais à frente produzirmos clipes, DVDs, discos e shows coletivos também.

O Show “Parceragem que faço dia dois, sexta agora no Brazileira, vai ter lista, quem não puder ou quiser pagar sem problemas, fazemos a velha lista da fome kkkk, mas que tal discutir isso, migos? Aliás, eu só continuo na música por conta desse convívio com vocês, não fosse isso eu já teria largado tudo há muito tempo, pois é tudo muito contra, a alegria vem dos artistas incríveis que conheci e passei a conviver, dividir palco, canções, ser e ter como público, nosso destino está selado, temos que criar nosso espaço e mercado de trabalho alternativo, é isso ou nada, nesse mercado oficial que está aí não há lugar mais para arte, o entretenimento comercial de baixa qualidade tomou conta de tudo, temos que reinventar a nossa roda.

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